Take Off - O Evento
Hoje o dia foi deveras interessante com o Take Off. Penso que ganhámos todos muito com evento, quer a nível das apresentações feitas, como a nível de organização, como (e mais importante) a nível de convivência com pessoas da área. Como diria Gonçalo Quadros, as melhores ideias podem surgir entre copos de cerveja. A seguir apresento as minhas impressões do evento cronologicamente com umas notas finais.
8:00 – Montar e preparar as coisas para o evento. Neste capítulo gostaria de agradecer ao Fábio pelo par de mãos adicional que nos forneceu.
10:00 – As pessoas vão chegando e vão-se sentando. Estávamos a espera de cerca de 10-20 pessoas da parte da manhã e fomos surpreendidos por 99 assistentes. Penso que isto responde claramente a quem nos perguntar se o take off superou as nossas espectactivas.
10:10 – Apresentação inicial feita por mim e pelo Sérgio. Focámos a origem do evento: a nossa experiência de eventos anteriores como o Barcamp e Tecnonov, a necessidade de partilhar ideias, experiências, mostrar projectos de inovação e de conviver. Apresentámos também a plataforma que desenvolvemos para «linkar» os oradores, espectadores e mesmo organizadores: o Take Off People. Agradecemos já que as pessoas que estiveram no evento se registem e deixem os seus contactos. Caso tenha tirado fotos, seria interessante partilhar no flickr ou no sapo fotos com o tag de takeoff2007.
10:20 – Palco Principal: da Web para o Palco foi a apresentação que o João Carvalho fez sobre o seu projecto PalcoPrincipal. Quando se viu no final do curso fez uma escolha alternativa em relação à normal procura de emprego: decidiu criar a sua própria empresa. Com o mesmo nome do portal que a suporta, a PalcoPrincipal não se dedica exclusivamente à manutenção do portal. Organiza colectâneas, concertos e faz agenciamento de bandas. Penso que é um bom complemento ao portal e à comunidade, e é uma resposta a necessidades reais. Como referiu o PalcoPrincipal é um projecto em constante evolução e ideias não faltam, mas optam por ir lançando feature a featura, mantendo o portal interessante e com sucesso. Gostaria de salientar nisto duas coisas: a primeira é o sistema de rating que funciona melhor do que o tradicional e que consistem em avaliar também quanto tempo é que o utilizador ouve a música. Assim pode-se saber se realmente gostou da música ou mudou para outra. Outra foi uma notícia em primeira mão que vão lançar mini-lojas para futuramente as bandas poderem vender o seu merchandising. Penso que as bandas deviam começar a apostar também no mercado nacional (e países de lingua portuguesa) e não só ter MySpaces.
11:30 – EJAKI e YouTrace: duas ideias de partilha de localização que eu, sendo aluno do DEI já tinha conhecimento até porque um amigo meu trabalhou no primeiro e está também envolvido no segundo. No entanto, achei a apresentação bastante interessante, pois tocando nos assuntos tecnicos apenas surperficialmente, o professor Francisco Pereira deu a conhecer o estado do projecto a nível científico e como pode ser aplicado à realidade. Para quem não assistiu à apresentação, o EJAKI é um sistema que permite cada pessoa guardar qualquer Spot onde esteja e partilhar com uma comunidade. Sendo uma aplicação Web2.0 exite claro um sistema de ratings de locais. Com este projecto surgiu também a necessidade de marcar não só locais mas também as estradas e com isso surgiu o YouTrace, uma aplicação que guarda trajectos(traces) e depois os trabalha e guarda para construcção de mapas, ao contrário do que acontece com aplicações comerciais patrocinadas por marcas de automóveis. Uma das coisas que gostei na apresentação foi a preocupação com a privacidade dos dados cuja protecção está a ser estudada. Gostei também especialmente da preocupação com o ambiente, nomeadamente de um sistema de GPS sugerir percursos alternativos com meios de transporte colectivos e até mostrar as necessidades da população. A isto junta-se também a possibilidade dos ciclistas e pedestres usarem o GPS para marcar sítios e estradas.
12:15 – Do cubículo para o sofá com uma imagem bastante atraente foi o primeiro slide da apresentação do Pedro Sousa. Acabou por ser um incentivo à inovação e também uma partilha daquilo porque está a passar. Uma das coisas que me ficou mais na memória foi a ideia de que sozinho não se consegue. Cada pessoa não consegue fazer tudo sozinho, pois normalmente é-se bom numa área e tem-se pontos fracos (não podemos ser todos perfeitos, não é?). Outro dos motivos é a responsabilidade que não pode ficar toda numa pessoa e que tem de se dividir pelas equipas (mais tarde o fred voltou a falar no assunto). Outro assunto curioso falado foram as várias maneiras de começar uma startup: a tempo inteiro, em part-time, ou a dedicar-se apenas no tempo livre e as várias vantagens e desvantagens.
13:00 – Almoçar juntamente com os oradores e alguns assistentes mais interessados. Fiquei a conhecer melhor os oradores e alguns webdevellopers que nos acompanharam. Falámos sobre os projectos dos presentes (e dos ausentes). Achei este convívio fundamental para quebrar a rotina dos informáticos de comer mal e estar sempre isolado em frente ao monitor.
14:40 – Ideias e Software – Como desenvolver uma indústria de software em Portugal ? foi a apresentação que Vitor Santos nos trouxe sobre o auxilio que a microsoft dá a projectos inovadores. Surgiu, como seria de esperar, grande polémica devido à frase “Em termos de economia, o open source é irrealista”. Isso e uma confusão com a limitação de apoio de empreendedorismo a projectos sob tecnologias microsoft levaram a um forte debate com o público que foi salvo graças à intervenção do Carlos Duarte que disse que apesar de não estarem de acordo, não deviam ocupar a apresentação a discutir uma guerra que já vem sempre.
15:30 – Linux – Um caminho para a Produtividade mostrou a outra face da medalha e foi um exemplo de Octávio Gonçalves da MagicBrain, uma empresa que já está no mercado há alguns anos funciona exclusivamente com OpenSource e de como o fazer. Surgiram também algumas reacções no público pois achavam que o modelo de negócio apenas em OpenSource não era assim tão perfeito, pelo que entendi que um meio termo seria o preferido pelos elementos da plateia (e também o meu caso pessoal).
16:15 – Critical Software – da ideia à empresa foi um título que correspondeu exactamente ao conteúdo apresentado. Sinceramente tinha medo que a Critical aproveitasse a sua apresentação para vender os seus produtos, mas realmente tanto eu, como a plateia, fomos bastante surpreendidos pela positiva. Sendo a Critical Software uma empresa referência quando se fala de inovação e casos de sucesso em Portugal, o CEO da empresa Gonçalo Quadros falou de como um projecto de 3 colegas de doutoramento surgiu, do compromisso que fizeram em não seguir a carreira académica, para poderem realmente apostar no projecto e não fugir à tentação de ir pelo caminho mais fácil. O sucesso está a vista, tendo a Critical crescimentos na ordem dos 40% por ano (sustentável como referiu Quadros), como 200 pessoas empregadas e delegações por todo o mundo. Focou a necessidade dos centros de desenvolvimento estarem associados a universidades, pois querem manter um alto nível de pessoas com alta formação, quer mestrados, quer doutorados. Falou também na importância das pessoas que envolvem o projecto, que têm de o fazer por gosto e que se têm de diferenciar as suas capacidades e apostar naquilo que fazem melhor. A nível da Critical, que necessida de altos padrões de certificação, sugeriu que se comecem a fazer enquanto a empresa é pequena e torna as coisas mais fáceis. Realmente uma apresentação muito boa, de alguém que está numa boa posição para falar.
17:15 – Starting-Up foi o que Frederico Oliveira fez com o resto da WeBreakStuff, uma empresa que surgiu recentemente e que aposta na área de consultadoria na área de Aplicações Web e Design de Interfaces. O Fred falou sobre a sua experiência em criar a empresa, do bootstrapping que teve de fazer para poder ter dinheiro para investir na empresa, no lançamento do GoPlan. Foi interessante o problema que surgiu entre apostar mais no produto que em 3 dias se pagou a si próprio e que a partir daí foi só lucro ou apostar na área fundamental da empresa que é a consultadoria. Foi interessante também a partilha das suas experiências nas incursões à Bay Area. O rapaz (24 anos) tem mesmo jeito para falar!
18:00 – CoCriatividade – Outra forma de inovação? Sim, foi a resposta que Pedro Custódio, webdeveloper na SAPO e organizador da Shift deu. Apesar de doente no dia anterior, o Pedro surpreendeu-nos com uma apresentação muito boa sobre a nova criatividade que está a ser criada graças a web Social em que se deve ligar mais à comunidade e ao público. Uma das ideias era criar uma aplicação partindo das necessidades do público pois a fórmula de sucesso apresentado era colocar o Utilizador em primeiro lugar pois é ele que vai ditar o sucesso ou não da aplicação. Ilustrou bastante bem com vários exemplos de comunidades que ajudaram a fazer de um site um êxito, citando os mais conhecidos MySpace, YouTube, etc. Uma boa apresentação para quem se interessa pelo mundo da web2.0
18:45 – Publicidade 2.0 foi um óptimo seguimento à apresentação sobre CoCriatividade pois agora foi apresentada de um perfil de alguém que trabalha na área da publicidade: Armando Alves. Foi interessante o ponto da situação actual em que a aposta das marcas na publcidade online é fraca comparada com a percentagem de tempo que as pessoas usam este media. Foram também apresentadas algumas soluções bastante interessantes para fazer publicidade em websites ou mesmo aplicações. As respostas às perguntas do público sobre métodos a aplicar a algumas situações.
19:45 – Arrumar as coisas para deixar tudo impecável como encontrámos.
21:00 – Jantar na companhia de uns webdevellopers muito porreiros: Tiago Pinto, Fred Oliveira, Sérgio Santos, Fábio Pedrosa, Pedro Custódio, Francisco Cabrita, Pedro Sousa e Ricardo Mestre. Umas boas trocas de ideias apesar de descobrir que sou o único a gostar de linguagens identadas, nomeadamente Python.
Notas Finais:
1- Gostaria de reforçar o agradecimento aos patrocinadores que possibilitaram o evento e que merecem uma visita ao website (pode ser que seja interessante!). Agradeço também ao staff do departamento e ao núcleo de estudantes de informática que ajudaram bastante na logística.
2 – Gostaria também de agradecer à Person of the Year of 2006
3 – Gostaria que quem tirou fotos colocasse no flickr (ou sapo fotos, para não dizerem que não apoiamos a produção nacional) as fotos com o tag takeoff2007.
4 – Iremos disponibilizar os podcasts das apresentações a partir de amanhã, pelo que estejam atentos ao site
5 – Já ha algum tempo que andamos a falar que, caso tivesse sucesso o take off, iriamos tornar um evento anual. Sabendo agora o que sabemos, aceitamos sugestões para a próxima edição que, em princípio, irá ser de dois dias e irá contar com workshops.
Menos...
Por Alcides Fonseca a 29 de Abril de 2007 (2:14)
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